4. BRASIL 24.10.12

1. A LTIMA FATURA
2. COMO DUDA ENCOLHEU
3. SUPREMO BLINDADO
4. A POLTICA DAS AGRESSES

1. A LTIMA FATURA
Prestes a deixar seus cargos, prefeitos se apressam em fechar convnios que extrapolam a atual gesto. Ministrio Pblico investiga a onda de contratos firmados no apagar das luzes
Izabelle Torres

 PRESSA -  A recuperao das orlas das represas Billings e de Guarapiranga no tem data para comear,  mas a licitao foi homologada s pressas pelo prefeito de So Paulo, Gilberto Kassab
 
O comportamento j virou praxe na poltica. s vsperas de deixar o poder, prefeitos se apressam em fechar contratos que extrapolam seus mandatos atuais. Embora eles aleguem que esto defendendo o interesse da populao, essas iniciativas, muitas vezes, visam garantir o repasse de dinheiro pblico para  parceiros dos polticos que se despedem dos cargos. A ousadia tem chamado a ateno do Ministrio Pblico. A tentativa desesperada de manter contratos em vigor j resulta em pelo menos 17 aes em andamento. Em Campo Grande, o prefeito Nelson Trad (PMDB) assina nas prximas semanas contrato com um consrcio formado por duas empresas para a coleta e tratamento de resduos slidos na capital sul-mato-grossense. A empresa LD  uma das vencedoras e pode receber mais de R$ 1,8 bilho para prestar os servios por 25 anos. Seria apenas mais um caso de terceirizao a preos elevados, no fosse o fato de o dono dessa empresa ser Luciano Potrich Dolzan, sobrinho da primeira-dama do municpio. 

Alm do parentesco, a pressa com que Nelson Trad comandou a licitao alertou o Ministrio Pblico. Os procuradores dizem que a prefeitura agiu para impedir que concorrentes tivessem acesso a informaes sobre os servios e detalhes das obras. A prefeitura inviabilizou a participao de outras empresas, resume o engenheiro Thiago Verrone, responsvel pela denncia que resultou na investigao.

MAIS DUAS GESTES -  Prefeito de Joinville, Carlito Merss (PT) prorrogou o contrato de lixo por 10 anos
 
O filo milionrio dos servios de coleta e descarte do lixo tambm levou o atual prefeito de Joinville, em Santa Catarina, Carlito Merss (PT), a assinar no ms passado a prorrogao do contrato com a empresa Ambiental Limpeza Urbana. O convnio vai durar dez anos. A iniciativa fez com que vereadores pedissem abertura de investigao para apurar o caso. Isso aumentou a desconfiana de que h uma relao promscua entre o contratante e empresrios, disse em plenrio o vereador Adilson Mariano, do mesmo partido do prefeito. 

Em So Paulo, quem suceder Gilberto Kassab (PSD) ter de dar continuidade ao processo de contratao para a recuperao das orlas das represas Billings e de Guarapiranga. A obra est orada em R$ 3,3 bilhes. O MP quer saber por que Kassab se apressou em homologar a licitao, apesar de nem haver data para as obras comearem. Diante disso, procuradores ouvidos por ISTO disseram que vo acompanhar com lupa todas as fases desse processo. Em Macei, o prefeito demissionrio Ccero Almeida (PTB) autorizou prorrogaes de contratos com empresas investigadas por falhas na prestao de servios  prefeitura.  o caso da Oscip Tocqueville,  que presta servio  Secretaria de Assistncia Social da capital alagoana e  suspeita de fraudar prestaes de contas para distribuir dinheiro entre polticos.


2. COMO DUDA ENCOLHEU
Nos ltimos anos, Duda Mendona viu seus negcios minguarem e foi fazer campanhas at na Polnia. Apesar de absolvido no mensalo, seus problemas com a Justia ainda no acabaram
Josie Jeronimo

 COMEMORAO - Duda Mendona festejou o resultado favorvel no julgamento do STF no restaurante Boi Preto, em Salvador
 
At o dia 11 de agosto de 2005, Duda Mendona era conhecido como o publicitrio que conseguiu transformar a imagem de sindicalista raivoso de Luiz Incio Lula da Silva em lder popular carismtico, o Lulinha paz e amor. Mas assim que decidiu ocupar, espontaneamente, a cadeira de depoente na CPI dos Correios e contar os artifcios usados pelo PT para pagar por seu trabalho na corrida presidencial de 2002, ele passou por um calvrio particular. Embora tenha sido absolvido pelo plenrio do Supremo Tribunal Federal (STF), na ltima semana, o publicitrio amargou uma silenciosa pena de quase oito anos. Viu minguarem seus negcios e a fora de seu nome no mundo da propaganda. Os nmeros so reveladores desse declnio. Em 2004, Duda chegou a faturar R$ 63 milhes em contratos com a Unio. Neste ano, os repasses do governo federal para sua agncia no ultrapassaram a casa dos R$ 90 mil. Desde a crise, a ento poderosa agncia Duda Propaganda sofreu outras baixas significativas. Em 2009, fechou um dos escritrios do Rio de Janeiro. J a filial de So Paulo chegou a operar no vermelho.

Com o nome manchado pelo escndalo do mensalo, a indisponibilidade dos bens, determinada pela Justia, prejudicou ainda mais os negcios. Desde 2006, cada passo gerencial da agncia s ocorre com o aval do Supremo. No ano passado, para alterar o quadro societrio da firma, Duda teve que solicitar a autorizao do ministro relator do mensalo, Joaquim Barbosa. A distribuio dos lucros entre os scios da agncia tambm passou a ser analisada com lupa pela corte. Para sobreviver  nova realidade que se imps a partir do escndalo, e conseguir lucrar na rea de publicidade e marketing, Duda teve de alterar geograficamente seu foco de atuao. Notando que no Sudeste os candidatos evitavam seus servios  por temer que os adversrios levassem o mensalo para as campanhas , Duda resolveu trabalhar somente para polticos da regio Nordeste. No Maranho e na Paraba, comandou duas campanhas vitoriosas. A dos governadores Roseana Sarney (PMDB) e Ricardo Coutinho (PSB). Mas, em vez de exibirem o publicitrio como grife na corrida eleitoral, como os candidatos faziam antes de o nome de Duda engrossar a lista de rus do mensalo, limitaram seu trabalho aos bastidores, evitando aparies pblicas ao seu lado. Nas eleies deste ano, o profissional que era chamado de publicitrio fazedor de milagres teve que investir no varejo das campanhas municipais, fazendo consultorias. Ele ajudou seu amigo Fbio Cmara (PMDB) a conquistar uma cadeira na Cmara de Vereadores de So Lus (MA). Ainda atua na campanha do candidato petista Elmano Freitas, que disputa o segundo turno da eleio  Prefeitura de Fortaleza. Mas ficou nisso.

Recentemente, Duda abriu uma filial da agncia no Maranho, em busca do que tem chamado de processo de reconquistar seu lugar. O publicitrio reclama que recebeu algumas portas na cara durante os sete anos em que se desenrolaram as investigaes, a denncia do Ministrio Pblico e o julgamento do Supremo. As pessoas diziam que eu era um cara competente, mas queriam esperar, disse a um jornal de Salvador. Para fugir do estigma, Duda decidiu tentar voos fora do Pas. Abriu at uma agncia em Varsvia, capital da Polnia, a Duda Ads Polska. Na ltima semana, embora aliviado pelo veredicto do Supremo, Duda no quis comemorar publicamente. Em entrevista disse apenas que esperava por isso h muito tempo. A justia se fez. A famlia est muito aliviada, pois passou esses anos muito apreensiva. Para justificar uma festa marcada para este fim de semana em sua casa na Bahia, ele alegou que ser a celebrao do aniversrio de sua scia Zilmar Fernandes. Agora  a hora de arrumar tudo e pensar no que fazer. Espero reconquistar o meu lugar, afirmou. 

Mas a dor de cabea do publicitrio com a Justia ainda poder ter desdobramentos em outras instncias. Nos prximos dias, a 20 Vara de Justia do Distrito Federal dar sentena em processo que acusa o publicitrio de irregularidades em contrato com a Secretaria de Comunicao da Presidncia e determina a devoluo de R$ 700 mil aos cofres pblicos. De acordo com a ao, a empresa de Duda teria sido paga sem prestar servio direto, subcontratando outras agncias de publicidade. O calvrio do antigo marqueteiro do PT parece mesmo no ter fim.


3. SUPREMO BLINDADO
Depois de reforar a segurana para o julgamento do mensalo, o STF vai contratar mais 90 homens para fazer a escolta pessoal dos ministros
Josie Jeronimo 

TUDO DOMINADO - Para evitar incidentes, o STF j havia contratado 40 seguranas para atuar durante o julgamento do mensalo
 
A capa preta e a caneta do relator do mensalo, ministro Joaquim Barbosa, fizeram com que o magistrado fosse comparado a um heri justiceiro dos quadrinhos na internet. Na vida real, porm, Barbosa tem recorrido a guarda-costas para se proteger. Desde o incio do julgamento, o ministro no d um s passo sem a escolta de sete homens, que ele requisitou ao Supremo Tribunal Federal. A operao de blindagem que alterou a vida do relator do mensalo desde o incio do processo no ser exclusividade dele. Na prxima tera-feira, o STF vai contratar 90 homens para fazer a segurana pessoal dos magistrados. A Corte est preocupada com a proteo dos ministros aps o fim do julgamento. O preo do servio  estimado em R$ 6,3 milhes, registra o edital do prego, e o nmero de seguranas que escoltar cada ministro ser uma deciso pessoal dos magistrados. O ministro Marco Aurlio de Mello, por exemplo, mais preocupado em manter a privacidade, ter apenas quatro seguranas. Continuo protegido pelos meus jurisdicionados, brincou. A maioria dos ministros ter escolta de oito seguranas. Joaquim Barbosa, por sua vez, que assumir a presidncia do STF em novembro, aumentar sua segurana. Contar com a proteo de dez homens divididos em dois turnos, quatro de dia e seis  noite. Para entrar na vida dos magistrados e fazer a segurana pessoal, os guarda-costas tero remunerao de R$ 8 mil mensais, recebero treinamento especial, alm de informaes sobre os hbitos, rotina e vida familiar dos ministros. Tambm precisaro assinar um termo de sigilo, que os impede de revelar a terceiros dados sobre a intimidade das autoridades, explica o especialista em segurana Irenaldo Pereira Lima, presidente do Sindicato das Empresas de Segurana do Distrito Federal. A arma-padro para o servio  uma pistola calibre 38, guardada em um coldre embaixo da axila.

SEM SUSTOS - A Corte est preocupada com a proteo dos ministros aps o fim do julgamentodo mensalo. A maioria dos ministros ter escolta de oito seguranas
 
O efetivo j havia sido reforado para fazer a segurana do STF durante o julgamento do mensalo. O contrato do servio recebeu um aditivo para que, do dia 2 de agosto ao dia 1 de outubro, 40 homens se juntassem ao exrcito de 295 vigilantes do Supremo para evitar qualquer surpresa desagradvel. Os funcionrios foram alertados sobre a possibilidade de pequenos atentados envolvendo militantes polticos e grevistas, que em agosto protestavam na Esplanada dos Ministrios. O planejamento de proteo aos ministros comeou em maio. Naquele ms, trs experientes profissionais da rea de inteligncia e aes prticas de rgos policiais foram cedidos ao STF para coordenar os trabalhos. A preparao para enfrentar qualquer tipo de incidente durante o julgamento histrico tambm contou com a compra de modernos dispositivos de monitoramento das instalaes do prdio da Corte e dos veculos usados pelos ministros. Para isso, no incio do ano, o Supremo adquiriu aparelhos de rastreamento de carros por satlite, fechou contrato com uma empresa que fornece programas de deteco de rostos e placas para equipar a garagem e comprou novo aparelho de varredura contra grampos telefnicos, ao preo de R$ 182 mil. 

Para evitar o contato dos magistrados com passageiros no aeroporto de Braslia, uma sala especial de embarque tambm foi alugada desde agosto. Custa R$ 18 mil mensais. A estratgia de segurana tambm passou pela troca de fechaduras de portas e gavetas. Em junho, o STF abriu concorrncia para contratao de servios de reparo e troca de segredo de 650 trancas e confeco de novas chaves, a um custo de R$ 66 mil. O zelo aparentemente extremo  comum e faz parte das medidas preventivas de proteo adotadas em todo o mundo, explica o especialista em segurana Jorge Lordello. Ele lembra o recente flagrante da funcionria do setor de limpeza de um tribunal nos Estados Unidos, que arrombou uma gaveta para furtar documentos. De acordo com Lordello, as salas dos ministros tambm devem ser locais reservados, para evitar o roubo ou do acesso a documentos sigilosos.

A ltima fase do julgamento, na prxima semana,  um momento especialmente tenso, aponta o especialista, pois durante o anncio das penas os magistrados estaro selando o destino de muitos rus: No Brasil existem grupos organizados criminosos. Isso infelizmente  comum. Os ministros no esto livres dessa atuao. O trabalho deles gera contrariedade em vrios nveis. Esse julgamento todo  crtico. E o momento da dosimetria das penas leva a uma maior tenso. Os magistrados lhe do razo. Dias atrs, um dos ministros comentou no manter nenhuma iluso de ser invunervel.


4. A POLTICA DAS AGRESSES
O candidato do PSDB  Prefeitura de So Paulo, Jos Serra, esquece as propostas para a cidade, parte para o ataque contra o concorrente do PT, Fernando Haddad, agride verbalmente jornalistas e despenca nas pesquisas s vsperas do 2 turno
 Pedro Marcondes de Moura e Alan Rodrigues 

DESTEMPERO - A 17 pontos do petista Fernando Haddad, Serra se desespera e passa a utilizar uma ttica agressiva na reta final da campanha
 
Vendo que a distncia para o concorrente Fernando Haddad (PT) aumenta a cada nova pesquisa de inteno de voto, a uma semana do segundo turno da eleio  Prefeitura de So Paulo, o candidato do PSDB, Jos Serra, reedita a malfadada estratgia usada contra Dilma Rousseff na disputa presidencial de 2010. Diante das projees nada alvissareiras para ele  o instituto Datafolha aponta uma vantagem de 17 pontos para Haddad , Serra passou a enxergar na ttica das agresses a nica forma de evitar a derrota que parece se avizinhar. Destemperado e irascvel no trato com jornalistas e at correligionrios, o tucano acionou a metralhadora giratria nos ltimos dias. Em atos pblicos e, principalmente, nas inseres de rdio e televiso, Serra desferiu uma srie de ataques ao oponente. Insistiu na tentativa de vincular Haddad aos rus do mensalo e explorou de maneira equivocada a confeco do chamado kit gay pelo petista durante sua gesto no Ministrio da Educao.

Isso no  combater homofobia,  uma espcie de doutrina. O problema do kit gay  acima de tudo pedaggico, declarou o candidato do PSDB. O ataque se voltou contra ele prprio, quando o jornal Folha de S.Paulo revelou, durante a semana, que material semelhante destinado a tentar combater o preconceito a homossexuais havia sido distribudo em 2009, pelo governo de Serra, para escolas pblicas paulistas. Questionado sobre a contradio, Serra tentou, em vo, diferenciar as duas iniciativas, perdeu a cabea e mergulhou sua campanha numa agenda negativa na reta final da eleio.
 
Ataques a jornalistas Descontrolado, Serra agrediu verbalmente jornalistas em trs ocasies. Na segunda-feira 15, indagado por uma reprter do portal UOL se o tom mais agressivo de seu primeiro programa do segundo turno guardava relao com a diferena ento de dez pontos percentuais em relao a Haddad nas pesquisas, disse que ela estava ajudando a campanha petista. Na tera-feira 16, quando a mesma profissional perguntou se o tucano concordava ou no com o uso de materiais de combate  homofobia nas escolas, Serra esquivou-se de responder e sugeriu que a reprter deveria ir trabalhar no comit do PT. J em entrevista  rdio CBN, o ex-governador incomodou-se com questes colocadas pelo jornalista Kennedy Alencar, a quem chamou de mentiroso e acusou de fazer campanha para o adversrio. A postura adotada pelo tucano foi criticada por Soninha Francine, do PPS, candidata derrotada no primeiro turno e apoiadora da campanha do PSDB. Eu no concordo com esse jeito dele de reagir. Mas, infelizmente, ele (Serra)  assim, no tem pacincia com a imprensa. O resultado no poderia ser pior. Nos ltimos dias, as propostas para a cidade, que  o que importa para o eleitorado, foram relegadas a segundo plano pelo candidato do PSDB. E sua rejeio junto  populao bateu incrveis 52%.

Na batalha pelo comando da capital paulista, Jos Serra parece mandar s favas a premissa do marketing poltico segundo a qual quem bate, perde. Pesquisa da empresa Controle da Concorrncia aponta que, durante o primeiro turno, o ex-governador gastou 16,57% de suas 4.874 inseres no horrio comercial televisivo em ataques ao adversrio petista, mesmo com a liderana de Celso Russomanno (do PRB) at as vsperas do pleito. Foram 666 inseres endereadas apenas a atacar Haddad e outras 142 que citavam, alm do ex-ministro da Educao, outros postulantes. No mesmo perodo, Haddad destinou 7,75% do seu espao a crticas ao adversrio tucano. O petista elencou como principais motes a renncia de Serra ao cargo de prefeito em 2006 e a administrao do prefeito Gilberto Kassab, considerada ruim ou pssima por 42% dos eleitores. O coordenador-geral da campanha tucana, o deputado federal Edson Aparecido, tenta minimizar os efeitos da estratgia, que, at agora, se revela equivocada. Mostrar as falhas de Haddad no comando do Ministrio da Educao  discutir a capacidade dele de gerir uma cidade como So Paulo, diz Aparecido. Isso no pode ser confundido com agressividade. Faz parte de qualquer campanha, comenta.

Ttica de risco Para o consultor poltico Gaudncio Torquato, no entanto, trata-se de uma ttica muito arriscada e que, normalmente, no gera resultados. Em grandes centros urbanos, os ataques pessoais, acusaes ou tentativas de destruir a imagem de candidatos no costumam produzir resultados. Apenas reforam a opinio daqueles que j so eleitores deste ou daquele partido, comenta o professor da Universidade de So Paulo (USP). Segundo Torquato, o eleitor, em geral, prefere uma campanha baseada em propostas. O eleitorado quer uma campanha propositiva em que o candidato se mostre capaz de solucionar os problemas da cidade, analisa. Para o estudioso, o nico ataque capaz de alterar votos  aquele que consegue desconstruir as propostas feitas pelo opositor. Foi o que ocorreu com o Celso Russomanno (PRB) no primeiro turno da eleio paulistana. O Russomanno caiu vertiginosamente depois de baterem em sua ideia de atrelar o preo das tarifas de nibus s distncias percorridas pelo passageiro, lembrou Torquato.

Diante do cenrio favorvel apontado pelas pesquisas, a ordem no QG do concorrente de Jos Serra, o petista Fernando Haddad,  usar materiais negativos apenas para neutralizar eventuais ofensivas do tucano Serra. Foi seguindo esta estratgia que Haddad props a Serra, durante o debate da Rede Bandeirante na quinta-feira 18, uma espcie de armistcio para retirar as ofensas da pauta do segundo turno e promover uma campanha voltada a ideias para a cidade. Fica o meu convite para que as duas equipes se renam amanh e estabeleam um protocolo para que esses ataques pessoais saiam de cena e tenhamos uma semana mais propositiva, props Haddad. Temos que discutir exclusivamente as propostas, afirmou. Nos bastidores do staff do PT sabe-se, no entanto, que at a eleio do domingo a escalada de agresses tende a crescer. Vislumbrando possveis denncias do lado tucano, os petistas guardam munies nas mangas. Se a campanha do Serra vier com algum denuncismo de ltima hora, vamos trazer  tona temas que envolvem crimes financeiros de pessoas prximas a ele, diz um dos coordenadores da candidatura petista.

Crtica de aliados Apesar de o ncleo da campanha do PSDB ainda manter discurso otimista e desqualificar os resultados das pesquisas que apontam uma diferena de 16 a 17 pontos de vantagem de Haddad sobre Serra, dirigentes da legenda j admitem que as chances do ex-governador vencer a corrida pela prefeitura de So Paulo tornaram-se remotas. O tucano passa por uma trajetria de queda at entre o eleitorado cativo do partido. Em conversas com interlocutores, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticou duramente a conduo da campanha. A campanha de Serra flerta com o conservadorismo, disse FHC, presidente de honra do PSDB. O ex-governador Alberto Goldman tambm demonstrou contrariedade com o tom adotado por Serra. Se fosse ele, no alimentaria o debate sobre o kit gay. Diria que no tem nada a ver com a eleio, afirmou Goldman. O uso do kit gay por Serra irritou at o presidente do PSDB, Srgio Guerra. Em So Paulo, a campanha resvala para elementos que no so os mais relevantes. Se foi mame que fez o kit gay ou se foi vov que assinou, criticou Guerra.
 
Antes de aceitar ser candidato ao Executivo Paulistano, Jos Serra comparava a atual disputa eleitoral a um funeral. Se vencesse, receberia honras militares. Porm, se perdesse, seria enterrado como indigente. No domingo 28, as urnas nortearo o seu destino.

